domingo, 29 de julho de 2012


Favorito em uma só prova, Cielo estreia nos Jogos

Raia quatro, todos os olhares voltados para você, favoritismo, adversários intimidados. É nessa posição que Cesar Cielo se sente confortável. Em sua jornada nos Jogos de Londres, o campeão olímpico viverá essa sensação nos 50 m livre, na quinta-feira.
Mas, nas outras provas que deve nadar na piscina londrina, Cielo irá enfrentar uma situação desconfortável. Tanto ele não é o número um, como seus adversários se mostram em melhor fase.
O melhor nadador do país não cairá na água para a eliminatória do 4 x 100 m livre, às 7h56 (de Brasília).
Mas, se o time avançar à final, estará em seus ombros o peso de levar o revezamento ao pódio. Meta difícil. A disputa da medalha é às 17h.
Pelo que ele tem feito nos treinos, está se sentido veloz. E, quando ele se sente veloz, se sente poderoso. Fica mais confortável, ajuda no lado psicológico, declarou o treinador do brasileiro, Alberto Silva, o Albertinho.
Na madrugada de terça, Cielo inicia outro desafio incômodo. Tem que encarar o australiano James Magnussen e os 100 m livre, disputa em que amargou maus resultados nos últimos dois anos, após ser campeão mundial e quebrar o recorde dessa prova na temporada de 2009.
O brasileiro tem o sétimo melhor tempo do ano (48s28). Seu rival é o mais veloz da temporada, com 47s10.
A gente tem que pensar que todos os nossos adversários vão entrar para fazer a melhor prova de suas vidas, e acho que já é uma forma de começar perdendo torcer para alguém ter um desempenho ruim, afirmou Cielo.
Desde que chegou a Londres, ele se fechou. Deu só uma entrevista e fez treinos sem a a imprensa no Crystal Palace, o quartel-general do Brasil, e também no Centro dos Esportes Aquáticos. Nada de conversas ou fotos.
Descanso para mim é paranoia. No dia da prova, atrás do bloco é hora de pular, bater no corpo e despertar. Neste domingo, Cielo começa a acordar para a Olimpíada.



Joanna Maranhão refaz o curativo e 
diz: 'Espero poder competir com ele'

Nadadora tenta se recuperar do corte no supercílio para poder nadar os 
200m borboleta na terça-feira. Atleta se machucou após levar um tombo


Depois de levar um tombo em seu quarto, abrir o supercílio e ficar fora das eliminatórias dos 400m medley, Joanna Maranhãoafirmou que está preparada para voltar a competir. Por meio do Twitter, a nadadora contou que refez o curativo e se mostrou apta a cair na água na terça-feira, quando acontece a outra prova em que está inscrita, os 200m borboleta.
- Refiz o curativo e espero poder competir com ele amanhã. Os óculos não atrapalharam. Só (senti) um pouco de dor no streamline (estar com o corpo totalmente extendido embaixo d´agua) - escreveu Joanna.
Sem esquecer o drama vivido no último sábado, ela lembrou do carinho que recebeu dos seus companheiros de equipe.
- Cada vez que encontrava alguém do time do Brasil eu chorava. Mas não é choro de tristeza, cada um deles me deram palavras de consolo - disse.
Joanna aproveitou para falar sobre a eliminação precoce do judoca Leandro Cunha, que foi derrotado pelo polonês Pawel Zagrodnik logo na estreia do torneio peso-meio-leve (até 66kg).
- Uma pena o Coxa (apelido de Leandro) não ter ido em frente na disputa de hoje, tava 

torcendo muito por ele, menino bom! Agora, minha torcida fica para amanhã!



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Fabiola é eliminada nos 100m costas: 'Tinha uma chance para acertar, mas...'

Aos 37 anos, brasileira é apenas a 24ª colocada geral nas eliminatórias da prova, enquanto australiana Emily Seebohm quebra recorde olímpico (58s23)


Para uma perfeccionista declarada, o dia começou difícil. A prova não saiu como havia planejado, o tempo de 59s não foi alcançado, a semifinal não veio. Se sobrou vontade, faltou um pouco mais de velocidade a Fabiola Molina na primeira metade dos 100m costas. A terceira participação olímpica terminava ali, após 1m01s40. Aos 37 anos, a nadadora tentava, se esforçava para enxergar o resultado, o 24ª lugar geral, com um olhar menos crítico. Mas sempre deixava escapar uma frase em que acabava apontando suas falhas. As lágrimas só apareceram quando deixou de lado a análise técnica para falar sobre o que sentia naquele momento. Enquanto isso, a australiana Emily Seebohm comemorava a quebra do recorde olímpico (58s23) e a adolescente americana Missy Franklin mostrava sua força, com a segunda melhor marca deste domingo (59s37).
- Eu sou muito crítica, me cobro muito. Para mim as coisas têm que ser sempre perfeitas. Se isso não acontece eu vou ficando insatisfeita. Conversei com o cara que faz comigo o trabalho mental e disse que não estava satisfeita com meus resultados e que só ficava reclamando, reclamando, reclamando. E fizemos um trabalho para que eu buscasse mais o sentimento de satisfação. Isso me ajudou um pouco. Mas eu queria estar 100% satisfeita, queria ter feito a melhor prova da minha vida. Só que se eu olhar tudo no geral, sou superagradecida de estar nas Olimpíadas pela terceira vez. É dificílimo estar aqui e eu tive que recomeçar neste ciclo. Recomeços são difíceis, mas tenho pessoas importantes na minha vida e isso significa muito - disse.
Fabiola não se conformava. Afinal, nos últimos anos se cansou de nadar a prova na casa de 1m00s. Ela acredita que a mudança de técnico e de país, há sete meses, tenha influenciado no resultado. Foi para os Estados Unidos, passou a treinar mais volume do que velocidade e o corpo acabou sentindo a mudança na linha de trabalho.
- Em termos gerais esse é um tempo fraco para mim. Natação é uma coisa rápida. Se uma parte da prova deixou de ser perfeita você não consegue mais se recuperar. Acho que meu problema foi a velocidade no começo da prova. Se eu tivesse mantido a evolução, teria chegado à semifinal. Estava bem preparada e esse tempo não representa o melhor de mim. Eu tinha uma única chance para acertar, mas...
Se a prova marcou a sua despedida das Olimpíadas, Fabiola não diz. Não gosta de fechar portas, de fazer planos a longo prazo. Por enquanto, só pensa nos próximos compromissos da temporada. Em janeiro, sim, começará a avaliar que rumo irá tomar. O plano de ter filhos nos próximos dois anos continua de pé.
- É um momento de transição e tenho que avaliar se nado mais um pouco ou não. Tudo depende da vontade que tem que partir de dentro. Depois dos Jogos de Syndey-2000 eu não imaginava fazer um novo ciclo. E as coisas mudaram. Aí conheci o Diogo (o marido Diogo Yabe) e continuei. Em 2014 vou ver o que o meu coração vai estar falando sobre os Jogos do Rio-2016. Tenho que ver se vai bater algo forte. Quero estar lá, contribuindo de alguma forma dentro ou mesmo fora d'água.




Sem Cielo, revezamento 4x100m livre do Brasil não se classifica para final

Quarteto brasileiro termina prova na nona colocação e não briga por medalha nas Olimpíadas de Londres. Australianos lideram a eliminatória


O quarteto brasileiro do revezamento 4x100m livre entrou na piscina sem Cesar Cielo, poupado pela comissão técnica. Sem o campeão olímpico, a equipe não conseguiu uma vaga na final da prova, terminando em nono lugar geral com o tempo de 3m16s14. Os australianos passaram em primeiro lugar com o tempo de 3m12s29. Estados Unidos, Rússia, França, Alemanha, Bélgica, África do Sul e Itália também brigam por medalhas. A final do revezamento 4x100m livre será neste sábado, às 17h (de Brasília).
Nicolas Oliveira abriu a prova para o Brasil, batendo os primeiros 50m em quarto e entregando para o companheiro Bruno Fratus em 5º lugar, com 49s31. Fratus, por sua vez, recuperou uma posição e entregou para Nicholas Santos , com o tempo de 1m38s29. 
Santos não manteve a velocidade e perdeu duas posições, entregando com 2m27s97, em sexto lugar. Por último, Marcelo Chierighini ganhou duas posições e finalizou a prova em quarto.
- Temos que ver mesmo quanto cada um nadou. Não ter o Cielo agora era uma estratégia pelos tempos dos outros nadadores até então. Era interessante poupá-lo para a final porque ele é o ponteiro do revezamento. É bem desgastante para ele nadar três vezes os 100m livre, três vezes os 50m livre, e ainda o medley (revezamento 4x100m). Foi uma opção do nosso staff - afirmou Nicholas Santos, em entevista ao SporTV, após a prova. 
Na primeira bateria, o Brasil acabou em quarto, atrás de França, África do Sul e Itália. No entanto, o segunda bateria foi mais forte e cinco equipes se classificaram.
Classificados para a final do revezamento 4x100m livre:
1º Austrália: 3m12s29
2º Estados Unidos: 3m12s59
3º Rússia: 3m12s77
4º França: 3m13s38
5º Alemanha: 3m13s51
6º Bélgica: 3m13s89
7º Áfria do Sul: 3m13s93
8º Itália: 3m15s78

sábado, 28 de julho de 2012

PARABÉNS THIAGO PEREIRA!!!!


Thiago é prata nos 400m medley; Lochte vence, e Phelps é quarto

Brasileiro se recupera na metade da prova e chega em segundo lugar


Ryan Lochte não tomou conhecimento. Não precisou nem olhar para o lado para ver se Michael Phelps estava por perto. Lá no cantinho, na raia 8, o campeão olímpico de Pequim-2008 parecia inofensivo enquanto seu rival disparava no centro da piscina. Nem mesmo Thiago Pereira se assustou com o então bicho-papão das provas de medley. Saiu do quinto lugar na parcial do peito, assumiu o segundo e não deixou que ninguém roubasse a sua medalha de prata. Com o tempo de 4m08s86, o brasileiro chegou atrás apenas de Lochte (4m05s18), deixando o bronze para o japonês Kosuke Hagino (4m08s94).

thiago pereira natação  londres 2012 prata olimpiadas (Foto: Satiro Sodré/AGIF)

Phelps? Parecia não acreditar no que via no placar. Aquele número 4 ao lado do nome não estava nos planos. Ainda mais para quem costuma dizer que os 400m medley funcionam como um termômetro. Se tudo sai bem nesta primeira prova, a competição costuma fluir. O sinal não foi bom para quem desde Atenas-2004 não saía de uma disputa de mãos vazias e sem um ouro. Em Londres, o americano também busca um recorde. Será o maior medalhista da história dos Jogos se subir três vezes ao pódio, superando a ex-ginasta Larissa Latynina. Ele tem 16 na coleção, ela ganhou 18.  
Da estreia amarga neste sábado, Phelps levará uma imagem. Lembra direitinho quando viu Thiago Pereira crescer no retrovisor.
- Eu me senti estranho nos primeiros 200m e vi Thiago crescendo. Ele estava mais bem preparado - disse.
Preparado e confiante. Nas duas outras participações olímpicas, havia batido na trave. Em Atenas-2004, então com 18 anos, ficou em quinto exatamente nos 400m medley. Quatro anos mais tarde, em Pequim, foi o quarto nos 200m medley. Não queria mais o quase. Foi treinar nos Estados Unidos, voltou e se juntou a Cesar Cielo no projeto PRO 16. Quero a medalha de qualquer jeito e fez o que esteve ao alcance das mãos em sua preparação para não dar margem ao "e se...". Trabalhou visando a prova dos 200m, mas não desperdiçou a chance que teve na distância que sempre o faz sair da água exausto. Nesta final não foi diferente. Chegou para falar com os repórteres só pensando em um lugar em que pudesse se sentar. Estava exausto, não conseguia andar direito e ainda atônito com o que tinha acabado de acontecer.
- Eu me surpreendi com o tempo da prova. Eu passei bem a parte da manhã. Falei com Albertinho (o técnico Alberto Silva), descansei e fiz o máximo de recuperação. Essa medalha é mais que um sonho. Eu estive sempre brigando, mas ficava em quarto, em quinto, sempre perto, mas nunca no pódio. Muita coisa mudou nesses quatro anos no treinamento. Na parte fora d’água, comecei a ter nutricionista, tudo o que precisava em termos de estrutura. Comecei a ter acompanhamento de mais profissionais - disse Thiago, ao SporTV. 



Cielo é acompanhado por seu time 
de 'anjos da guarda' nos Jogos

Profissionais de várias áreas, que viajam o mundo para dar suporte ao campeão olímpico nas principais competições, também estão em Londres


Nos últimos anos, Cesar Cielo se cercou de cuidados. Montou um time de anjos da guarda que viaja com ele para as principais competições ao redor do mundo. Para ter a tranquilidade que precisa na defesa do título dos 50m livre nos Jogos Olímpicos, o recordista mundial trouxe os profissionais que fazem parte de sua rotina diária de treinos. Dele e dos companheiros de PRO 16 que também estão na seleção e tiram proveito da presença da equipe em Londres. 
- Ficamos felizes que o COB e a CBDA entenderam isso. É claro que todos os atletas são importantes, mas tem alguns que vêm se mantendo na frente e conquistaram isso, esse suporte para que não falte nada. A equipe tem muita gente, gostaríamos de ter trazido todos, mas tivemos que priorizar. Estão aqui o médico; o fisioterapeuta, que sabe o que fazer para ele estar descansado e estabilizar a sua musculatura; o biomecânico; o preparador físico, porque viemos duas semanas antes. Temos confiança nessa estrutura. Cesar merece e precisa estar preocupado só em estar bem e fazer certo - disse Alberto Silva.
O técnico de Cielo, responsável por mais seis nadadores da seleção, também optou por contar com a ajuda de um um assistente. A estrutura montada, com monitoramento na borda da piscina, é algo com que nem nos Estados Unidos, nos tempos em que nadava pela Universidade de Auburn, ele contava.
- Temos uma equipe multifuncional para performance, na borda. O médico me ajuda a recuperar o atleta com exames, em situações que consiga análise bioquímica para ver se está se recuperando, e isso ajuda a condição de treino. O fisioterapeuta fica junto com o médico na musculação. A gente pesa eles, mede para saber se perderam massa magra. Se acontecer, acionamos o pessoal da alimentação. Não vejo hoje na natação a atenção, a maneira como trabalhamos e montamos essa equipe. Temos ainda nutricionista e dois caras para a parte mental.
Tanto controle não chega a gerar problema, segundo o treinador. Ao menos em ano olímpico. É quando Cielo e seus companheiros não se importam em abrir mão das coisas que gostam, de fazer regime, de buscar por toda ajuda que possa levá-los a atingir seus objetivos.
Nos últimos quatro anos, Albertinho viu Cesar ganhar ainda mais confiança. Ficou forte mentalmente, passou por todos os obstáculos, só olhava para frente.
- Você tem que saber jogar o jogo. O nosso é o de nadar mais rápido do que os outros sete nadadores. Naquela hora atrás do bloco não se pode ter medo do jogo, tem que dominar o espaço. Cesar conquistou isso com os anos. Às vezes você vê um atleta falando da boca para fora, querendo mexer com o adversário e criar confiança que não tem. Mas tem aquele que domina essa força mental.
Cesar se diferencia por isso. E deixa seu técnico ainda mais confiante de que será possível sair de Londres com o bicampeonato que tanto desejam.
- Há dois anos ele tem disputado as competições mais importantes e tem sido posto à prova. Nós estamos trabalhando, e o resultado disso tem sido dado. Atingimos metas. A ansiedade está aumentando, o coração está batendo mais forte porque está muito perto. Mas estou tranquilo e com a responsabilidade de estar com um atleta que hoje tem duas medalhas individuais nas Olimpíadas e de quem todo mundo espera muito. Isso não me preocupa, só me motiva. Construímos um caminho, resultados que nos deram essa confiança. Cesar sempre esteve entre as melhores marcas do mundo. Nós sabemos que só podemos pensar em estar 100%.

Cesar Cielo treino natação em Londres (Foto: AP)


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sexta-feira, 27 de julho de 2012


Cielo quer recorde, mas mantém cautela: "ser favorito não conta para nada"


Em Londres, Cesar Cielo busca o bicampeonato olímpico nos 50 m livre. Foto: Getty Images

Atual campeão olímpico nos 50 m livre, César Cielo não acredita que o favoritismo traga medalhas na natação e mantém a cautela ao falar de sua participação nos Jogos Olímpicos de Londres. O foco do nadador está na quebra de seu recorde e ele espera que isso também signifique uma medalha.
"O recordista mundial ou o nono colocado do ano passado estão na briga pela mesma medalha. Ser favorito não conta para nada. Estou pensando em fazer o melhor tempo da minha vida", afirmou Cielo.
Além da prova mais rápida da natação, Cielo também representará o Brasil nos 100 m livre, prova em que foi bronze na China. "Eu tenho que fazer o melhor e torcer para que isso seja suficiente para me colocar no pódio. Vou entrar nos 100 m com garra total, para fazer o máximo e viver um dia de cada vez".
Em Londres, a natação brasileira tem a chance de superar as conquistas da Olimpíada de Pequim, quando terminou com os dois pódios de Cielo e ainda a participação em seis finais. "Hoje todo mundo sabe que, quando tem um brasileiro na final, ele está ali para brigar e não só para participar", destacou Cielo. "Somos capazes de ganhar mais medalhas do que ganhamos em Pequim", acrescentou o campeão.
Outra grande chance de medalha brasileira será nos 100 m peito, com Felipe França. O nadador não esconde sua vontade de estar no lugar mais alto do pódio e se diz pronto para a conquista do ouro.
"Tenho treinado há muito tempo para isso, o ouro é a minha principal ambição. Não penso em outra medalha. As eliminatórias deste sábado, dos 100 m peito, já estão na minha mente, no meu corpo e no meu coração. Vou economizar energia nos primeiros 50 m, e na volta fazer como se fosse um tiro de 50 m, nadando em ritmo de campeão mundial", afirmou França. O brasileiro Felipe Lima compete na mesma prova.
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Pai de Cielo se prepara para assistir à abertura e torcer para o filho em Londres

Pai do nadador diz que não fala com o filho desde que a equipe olímpica chegou à Terra da Rainha


Faltam poucas horas para o início da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Londres 2012 e o pai do campeão olímpico Cesar Cielo ainda não sabe onde vai assistir à festa oficial.
Nesta sexta-feira (27), Cesar Augusto Cielo aproveitou para fazer compras em um shopping center que ficar perto do Parque Olímpico e falou com a reportagem do Esporte Interativo.
O pai de uma das principais esperanças de medalha em Londres disse que não conversa com o filho desde que a equipe olímpica desembarcou na terra das Olimpíadas.
Clique aqui e veja como o pai de Cesar Cielo está se preparando para ver o início das Olimpíadas e torcer para o filho campeão em Londres.
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ENTREVISTA DE ALBERTINHO SOBRE O PRO 2016 EM LONDRES


O técnico Alberto Silva, o Albertinho, comanda o Projeto Rumo ao Ouro em 2016, o PRO 16, grupo de treinamento de elite, que reúne atletas de vários clubes, entre eles a principal estrela da natação brasileira, Cesar Cielo, do Flamengo, treinando no Centro Olímpico, piscina pública da Prefeitura de São Paulo. Nos Jogos Olímpicos de Londres, a partir de sábado, quando começam as disputas da natação, e até o dia 4 de agosto, Albertinho vai ver na competição o trabalho de um ano e meio com o PRO 16. "O projeto começou com o Cesar Cielo, com a decisão dele de voltar ao Brasil, com a minha saída do Pinheiros... Fomos acrescentando mais alguns objetivos e passou a ser o sonho de outras pessoas que foram se juntando a nós. O projeto começou com o Cielo querendo voltar ao Brasil e o primeiro objetivo eram os Jogos", afirma Albertinho.

O PRO 16 tem um ano e meio. Que avaliação você faz?
Alberto Silva - É um projeto de alto rendimento, que juntou atletas do Brasil treinando juntos, em alto nível, num local bem estruturado, superando as deficiências que tínhamos - sempre faltava alguma coisa. Eu só colocaria coisas positivas em relação a isso. Fomos agregando cada vez mais atletas que estavam treinando em grandes centros e com grandes técnicos lá fora e acabaram voltando para o Brasil... Vemos o programa encaixando, o Centro Olímpico melhorando ainda mais com o pool com o COB e a CBDA. Mas fica difícil finalizar essa avaliação antes do fim dos Jogos Olímpicos.

Foi uma decisão acertada fazer o projeto?
Alberto Silva - O projeto começou com o Cesar Cielo, com a decisão dele de voltar ao Brasil, com a minha saída do Pinheiros. Fomos acrescentando mais alguns objetivos e passou a ser o sonho de outras pessoas que foram se juntando a nós. O primeiro objetivo eram os Jogos de Londres. Agregar os atletas, desenvolver nosso trabalho, nosso centro de treinamento, chegar com o grupo todo na Olimpíada. Está bem encaminhado e podemos ser vitoriosos. Estou satisfeito com o trabalho que eu e a equipe toda, de atletas e profissionais, conseguimos realizar - tudo o que identificamos como falha do grupo ou como estratégia de trabalho e das provas dos atletas pusemos em prática, trabalhamos, realizamos e vimos as mudanças para melhor. Agora, é esperar acontecer a competição.

Quais as perspectivas para Londres dos integrantes do PRO 16?
Alberto Silva - Os 100% em termos de grupo seria ter todos nas finais, uma meta difícil porque é uma questão de momento, o da competição, do fator psicológico na hora, e algo que tenhamos acertado mais ou menos... E o que pesa mais agora é o fator psicológico e o que a gente não controla, que são os adversários. Podemos ficar fora de algumas finais e será normal, mas os tempos que eles fizeram no ano.... Tivemos o grupo inteiro entre os top ten do mundo e oito vão à final. Eu diria que é uma meta realizável, apesar de a gente saber das dificuldades.

O que podemos imaginar para o Cesar Cielo?
Alberto Silva - Eu quero vê-lo bicampeão olímpico nos 50 m livre. Para os 100 m livre.... Bom, se a gente conseguir encaixar a melhor prova dos últimos anos, da vida dele, será muito bom. Ele se preparou para isso, dentro da nossa estratégia de fazer um trabalho de resistência lática para ele aguentar a volta, até o Maria Lenk, e, depois, um trabalho para ficar veloz e ter uma passagem confortável, lapidando essa volta dele. Ele realizou bem esse trabalho e espero que faça uma prova de 100 m muito boa. O Cesar tem uma percepção muito boa dele mesmo, então é muito de como ele se sentir, vai depender de como as coisas rolarem nas eliminatórias e semifinais, para ele e os adversários... Ele vai nadar dentro da realidade de como ele se sentir na hora.

E para os demais integrantes do PRO 16?
Alberto Silva -No caso do Thiago Pereira, a gente espera que ele traga uma medalha para o Brasil, que tenha a tranquilidade que teve a temporada praticamente toda para fazer eliminatórias e semifinais com características de eliminatórias e semifinais e a final da prova dentro do que treinou. Se ele fizer isso, a chance de medalha é grande, respeitando todos os adversários. Não é preciso se testar nas eliminatórias e semifinais e, na final, é preciso confiar na sua prova. Ele pode bem perto dos adversários na primeira metade da prova, dentro da característica que ele treinou, e acreditando na final.

O PRO 16 tem o Leonardo de Deus, o Henrique Barbosa, o Nicolas Oliveira, o Nicholas Santos...
Alberto Silva - Estão no mesmo patamar. O Leonardo de Deus tem 1:55 e meio (200 m borboleta). Se entrar numa final melhorando o tempo dele, para 1:54, isso poderia motivar para tentar estar entre os seis, levando em conta que acerte tudo. O mesmo para o Henrique Barbosa e o Tales Cerdeira. Eles tem 2:9.... No restante do mundo estão nadando 2:8. De repente nadam numa semifinal para 2.8 e entram numa final motivados. Seria um grande feito estarmos na final. O Nicolas Oliveira fez uma temporada curta com o grupo, do Maria Lenk para cá e talvez não tenha dado para fazer tudo o que era preciso, mas treinou bem. Como é a primeira vez que faz a temporada com o PRO 16, seria bom já nas eliminatórias ele sentir que tem condição. Ele tem e reuniu essas condições, trabalhou bem, mas precisa nadar uma eliminatória bem, para passar com confiança para uma semifinal. Se nadar como espero, pode ajudar o revezamento... O Cesar, um dos mais rápidos do mundo, tendo um cara desses bem, com tempo de top oito, pode contagiar positivamente o time, que fica mais forte. Pode ser um cara importante para ficar até o final da Olimpíada, de repente nadar a eliminatória do revezamento medley, poupando o Cesar ali. Espero que o Nicholas esteja bem para fazer o papel dele de ajudar a classificar o revezamento para a final e, indo um pouco além, que mostre um resultado tão bom que acabe cavando um lugar na final também. 

Os revezamentos são candidatos à medalha?
Alberto Silva - Revezamento é momento, mas dependeremos de quatro caras estarem bem, na mesma hora, no dia da competição. Não temos oito atletas nadando o mesmo tempo. Temos quatro. Mas temos o recordista mundial e se o Nicolas Oliveira chegar a uma final, nadando para um 48 baixo, já dá uma boa melhorada. Se não me engano, a média do revezamento americano foi de 48:4, 48 e meio. Se o Nicholas Santos melhorar também, o Chiereghini evoluir... O Fratus, sempre que a gente precisou dele, fez a parte dele no revezamento... Se tudo isso se ajustar, teremos um revezamento competitivo. A Austrália está acima de todo mundo, a França também tem um patamar até melhor do que o dos Estados Unidos no papel e os americanos nem estão tão melhor do que nós. Estamos entre os seis primeiros. Se tudo sair direito, no momento, dá uma clareada. No quatro estilos.... que é no final do programa, vai depender das provas individuais. Se Cielo, o França e o Thiago levarem medalha... Eles entrariam no revezamento com tudo. Se der tudo errado... pode dar uma brochada. Depende do que acontecer na competição.

Qual o tempo que o Cielo pode fazer em Londres? Ele fixou como meta, ganhar os 50 m livre com índice olímpico.
Alberto Silva - O Cesar muda as metas dele durante a temporada, conforme saem os treinos.Tem sensibilidade grande. Treinou, trabalhou, para nadar 21s20, mas criou a expectativa para 21s30, o recorde olímpico, nos 50 m livre. Mas ele não vai nadar tudo nas eliminatórias e semifinais e aí vai sentindo. Passou o Maria Lenk, priorizamos a velocidade. Ele fica feliz e confiante quando está rápido. A ideia foi de lapidar, depois do Maria Lenk, tudo o que construímos até lá. Espero mesmo que esteja rápido para defender o título dos 50 m livre e tentar melhorar nos 100 m com medalha. Espero que faça uma prova olho no olho... e a gente enfartando... Se disputar até o último metro, qualquer que seja o adversário, é o que trabalhamos no treino. Difícil falar em tempo. Se a prova for disputada em 47 e meio que ele esteja em condições de fazer isso, se for em 47:3 também.